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Melanoma in situ: o que você precisa saber sobre o estágio mais precoce do câncer de pele

Quando o assunto é câncer de pele, poucas notícias são tão boas quanto esta: existe uma fase em que o melanoma — o tipo mais perigoso de câncer de pele — ainda não teve tempo de invadir nada. Ele está ali, contido na camada mais superficial da pele, esperando (silenciosamente) para ser removido. Essa fase se chama melanoma in situ, e entender o que ela significa pode ser a diferença entre um tratamento simples e ambulatorial e uma jornada bem mais complexa.

O que é, afinal, o melanoma in situ?

A palavra “in situ” vem do latim e significa “no lugar” — ou seja, as células cancerosas ainda estão exatamente onde surgiram, sem terem ultrapassado a camada mais externa da pele, a epiderme. Isso o diferencia do melanoma invasivo, no qual as células já romperam essa barreira e ganharam acesso à derme, de onde podem eventualmente atingir vasos sanguíneos ou linfáticos e se espalhar para outras partes do corpo.

Por essa razão, o melanoma in situ é classificado como estágio 0 no estadiamento do câncer. Ele é considerado a forma mais precoce e mais tratável da doença, com prognóstico excelente quando diagnosticado e removido a tempo.

Vale lembrar que “in situ” não é sinônimo de “inofensivo” ou de algo que pode ser observado sem pressa. Trata-se de uma lesão maligna — só que ainda contida. Se não for tratada, uma parcela dessas lesões pode, ao longo do tempo, progredir para melanoma invasivo.

Como ele aparece na pele?

Assim como outras formas de melanoma, o melanoma in situ costuma se manifestar como uma mancha ou pinta que muda de forma, cor ou tamanho — ou que simplesmente chama atenção por ser diferente das outras pintas do corpo. A regra prática mais usada para reconhecer sinais de alerta é o ABCDE:

  • Assimetria: metade da lesão não é igual à outra
  • Bordas irregulares, mal definidas ou serrilhadas
  • Cor variada dentro da mesma lesão (tons de marrom, preto, avermelhado ou até áreas esbranquiçadas)
  • Diâmetro maior que 6 mm (embora lesões menores também possam ser melanoma)
  • Evolução: qualquer mudança perceptível em relação ao que a lesão era antes

Um subtipo particularmente relevante em pacientes mais velhos e em áreas expostas ao sol, como face, orelhas e couro cabeludo, é o lentigo maligno — uma forma de melanoma in situ que cresce lentamente, por anos, como uma mancha acastanhada de bordas irregulares, muitas vezes confundida com manchas senis comuns.

Como se chega ao diagnóstico

A suspeita clínica costuma nascer do exame da pele, muitas vezes complementado pela dermatoscopia — um exame que permite ao médico observar estruturas da lesão invisíveis a olho nu. Mas a confirmação diagnóstica é sempre histopatológica: um fragmento da lesão (ou a lesão inteira, quando possível) é enviado para análise no microscópio, e é o patologista quem determina se as células estão restritas à epiderme (in situ) ou se já invadiram a derme.

Qual é o tratamento?

A boa notícia é que o tratamento do melanoma in situ é, na grande maioria dos casos, cirúrgico e definitivo. A remoção completa da lesão, com uma margem de pele saudável ao redor, costuma ser curativa.

As diretrizes internacionais atuais — da NCCN (National Comprehensive Cancer Network, dos Estados Unidos) e da ESMO (European Society for Medical Oncology) — convergem em recomendações semelhantes: uma margem cirúrgica de 0,5 a 1 cm costuma ser considerada adequada para o melanoma in situ, incluindo o subtipo lentigo maligno.

Alguns pontos merecem destaque:

  • Nem sempre 0,5 cm é suficiente. Em lesões maiores, ou nos subtipos lentigo maligno e melanoma lentiginoso acral — que tendem a se estender de forma sutil e microscópica além do que se vê a olho nu —, margens de até 1 cm costumam ser necessárias para garantir que toda a lesão seja retirada.
  • Região da cabeça e pescoço exige cuidado extra. Estudos mostram que, especialmente na face, uma margem de 0,5 cm frequentemente resulta em excisão incompleta, exigindo reabordagem cirúrgica.
  • Cirurgia micrográfica de Mohs (ou excisão em etapas). Para lesões em áreas de grande importância estética e funcional — face, orelhas, couro cabeludo — pode-se optar por técnicas que analisam toda a margem cirúrgica no momento da cirurgia, antes do fechamento definitivo. Isso poupa tecido saudável e aumenta a precisão do controle das margens: um estudo citado pela NCCN mostrou índice de remoção completa da lesão em 99% dos casos com margem cirúrgica total de 9 mm usando essa técnica, contra 86% com margens de 6 mm.
  • E quando a cirurgia não é possível? Em pacientes que não são candidatos à cirurgia, ou em casos selecionados de margem positiva após a excisão, o creme de imiquimode a 5% — um imunomodulador tópico — pode ser uma alternativa, sempre sob acompanhamento próximo de um especialista experiente. Pesquisas publicadas em 2025 sugerem eficácia comparável entre imiquimode e radioterapia em casos complexos de lentigo maligno, embora ainda seja considerado um uso off-label que exige vigilância a longo prazo pelo risco de recidiva.

E depois da cirurgia?

Mesmo com excelente prognóstico, o acompanhamento não termina na sala de cirurgia. Pessoas que já tiveram um melanoma — mesmo in situ — têm risco aumentado de desenvolver uma nova lesão ao longo da vida. Por isso, o seguimento inclui:

  • Exames de pele regulares e periódicos com o especialista
  • Fotografia corporal total em pacientes com muitos nevos ou nevos atípicos, para facilitar a detecção de mudanças
  • Proteção solar rigorosa e consistente
  • Autoexame da pele em casa, com atenção a lesões novas ou que mudam

Por que isso importa

O melanoma é responsável pela maior parte das mortes por câncer de pele, apesar de não ser o subtipo mais comum. A incidência vem crescendo em todo o mundo — em parte por maior exposição solar ao longo da vida, em parte por melhor capacidade de diagnóstico precoce. É justamente essa detecção precoce que faz toda a diferença: encontrado na fase in situ, o melanoma tem chance real de cura completa com um procedimento relativamente simples. Encontrado depois de já ter invadido a derme, o cenário — e a complexidade do tratamento — muda consideravelmente.

Se você notar uma mancha ou pinta nova, que mudou de aspecto, ou que simplesmente “não parece certa”, vale a pena procurar avaliação especializada. Na dúvida, é sempre melhor investigar cedo.

Notou uma mancha ou pinta suspeita? Agende sua avaliação.

O diagnóstico precoce é o que torna o melanoma in situ uma doença de excelente prognóstico. Se você tem uma lesão de pele que mudou de forma, cor ou tamanho, não espere — agende uma consulta com o Dr. Lauro Matos, especialista em cirurgia de cabeça e pescoço, e faça uma avaliação completa.

Categorias:

  • ABCDE do melanoma, Blog, Câncer de pele, Cirurgia de cabeça e pescoço, lentigo maligno, Lesão pigmentada, melanoma, melanoma in situ

DR. LAURO MATOS DE ALMEIDA

Cirurgião de Cabeça e Pescoço

  • Sócio fundador do NICE
  • Membro do grupo de cabeça e pescoço da CLION e do Hospital Aliança
  • Preceptor da UFBA - HUPES
AGENDE SUA CONSULTA

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